foto1
foto1
foto1
foto1
foto1
Associação Ornitológica de Barão de Cocais

Online

Temos 71 visitantes e Nenhum membro online

Login

Visitas

227193
Hoje
Ontem
Esta semana
Semana passada
Este mês
Mês passado
Todos os dias
181
3430
5140
220603
8799
12810
227193

Seu IP: 54.147.142.16
18-11-2018 12:34

SITE DA AOBC

1ª ENTREVISTA MÊS DE JULHO/2018

            Dando continuidade ao nosso quadro de ENTREVISTAS para o site da AOBC, nesta primeira quinzena de Julho de 2018, estaremos conversando com o Sr Rodrigo Datena, grande Chefe de Roda de Trinca-Ferro, categoria FIBRA, do Estado de São Paulo/SP.

1-Datena, há quantos anos você cria pássaros e desde quando frequenta os Torneios de Fibra?

R:  Eu crio pássaros desde  14 anos de idade, meu primeiro passarinho foi um canarinho do reino, e com ele fiz bastante amizade. Com essas amizades, conheci uma senhora que me ensinou sobre criação de canário, até hoje quando estou reunido com amigos em casa, minha mãe  faz questão de falar como era a cozinha e nossas brigas em casa, por causa da criação de canários, tinha  casal criando em cima da geladeira, dos armários, e por aí vai.  Eu frequento Torneio de Fibra à 16 anos.

2-Atualmente você disputa algum Torneio?

R:  Sim, eu participo de torneios da nossa região, não costumo fazer campeonatos.

3-Há quanto tempo é Chefe de Roda nos Torneios de Fibra?

R: Comecei a conduzir rodas em 2011, atrás do convite do presidente na época do clube de Campinas ACCP, Alexandre Borges.

4-Quais foram suas maiores dificuldades no início como Chefe de Roda? 

R: A maior dificuldade foi na hora do fechamento das rodas, os locais dos torneios eram pequenos e muito apertados.

5-Atualmente atua em qual Clube?

R: Atualmente estou conduzindo as rodas aqui na minha região, não tem um clube definido, porque aqui são vários Clubes ,e recebo convite pra ajuda-los. 

6-Qual o maior Torneio de Fibra que você comandou uma roda?

R: Bom, lembrando que a gente nunca comanda uma roda sozinho, a condução de uma roda para sair perfeita, precisa de várias pessoas envolvidas. Foram inúmeros torneios que eu ajudei mas, o que sempre ficou gravado na memória foi em 2013, Torneio da GM, na cidade São Josése dos Campos - SP; lembro como se fosse hoje 210 gaiolas de Trinca ferro, Torneio Nacional Cobrap.

7- Qual o Torneio que mais marcou você? Por quê?

R: O Torneio que mais me marcou foi do Clube ACPFAZ, etapa Nacional Cobrap, no estado do Paraná, Fazenda Rio Grande. Lá eu recebi uma homenagem do presidente Fábio Eler e de seu vice, Geraldo Viana. Fique muito impressionado com a educação dos participantes dessa etapa do Cobrap. Você sair do seu estado, conduzir uma roda dessa magnitude, após o termino da mesma,  receber elogios de pessoas que você nunca viu, é muito gratificante.

8-Conte-nos um caso inusitado que tenha ocorrido em um Torneio de Fibra em que você era o Chefe de Roda?

R: Foi no torneio na cidade de Campinas, onde uma Trinca Ferro fugiu no meio da roda e ficou em cima das gaiolas cantando e brigando, foi muita adrenalina para conseguir colocar ele de volta na gaiola.

9- Uma dúvida sobre os trincas-ferros que emitem na roda o canto “tirulim” ou outro tipo de canto “viciado”, estes cantos devem ou não ser válidos no Torneio?

R: Conversando com alguns criadores experiente da espécie Trinca Ferro, alguns me disseram das dificuldade de encartar cantos nos filhotes, muitos pegam o dialeto de outras espécies. Baseados nessas informações, eu, Rodrigo  Datena, junto com o conselho técnico da Federação do Estado de São Paulo, liberamos o dialeto também nas rodas de Trinca Ferro.

10- Em sua opinião a maioria dos clubes do Brasil acertaram em não aceitar a famosa “ UMA” nota nos torneios de Fibra de Trinca-Ferro?

R: Na minha opinião sim, Muitos marcadores não sabem diferenciar uma nota e um chamado. Veja bem, referente aceitar uma nota ou não, pra mim essa decisão não pode ser  tomada por presidente de clube, acho que todas as normas e regras antes de serem elaboradas, no mínimo tem que saber a opinião dos participantes e dos verdadeiros criadores da espécie, sabendo do grau de dificuldade encartar canto no filhote, fico eu aqui imaginando como seria o som editado desse filhote para entrar no canto de uma nota.

11-Em sua opinião, o Chefe de Roda pode ter pássaros competindo no mesmo evento?

R: Sim, lógico, apenas ele tem que estar ciente que as regras são para todos, e seu pássaro não pode obter nenhum privilégio.  

12-Nos Torneios em que ainda não há os marcadores digitais, você é a favor ou contra o uso da catraca/marcador manual?

R: Sou a favor da catraca, mas conhecido como conta boi, desde que os mesmos sejam fornecidos pelo Clube, infelizmente sabemos que alguns vêm com problemas ou foram modificados para contar em dois em dois, até mais.  

13-Nos Torneios da AOBC, em Barão de Cocais, é REGRA o Chefe de Roda escolher 1 a 1, os marcadores para as devidas marcações. O que você acha deste procedimento?

R: Não concordo entre aspas, pelo seguinte: todos tem o direito de um marcador que seja considerado bom para marcar seu pássaro, não acho certo alguns ter privilégios, agora se o pássaro for polêmico , ai sim acho correto o chefe de roda escolher um marcador para aquela ave.

14-Os Clubes deveriam, assim como também os competidores, valorizar muito mais os Chefes de Roda. O que poderia ser feito para que os Chefes de Roda recebessem tal valorização?

R: Em minha opinião, os Clubes teriam que fazer mais reuniões ou palestras com seus associados e competidores, falando  da importância que tem um Chefe de Roda. Nessas reuniões, fazer apostilas do regulamento e entregar para todos. Também poderiam  o  Chefe de Roda  ser remunerado igual aos juízes de canto de curió, pagando suas despesas de viagem e ter mais respaldo pelos presidentes dos clubes.

15-Porque atualmente os coleiros estão superando os trincas ferros nos Torneios Fibra?

R: Hoje em dia, isso está acontecendo porque os coleiras tem mais privilégio para participar nas rodas no Estado de São Paulo, não existe mais varreduras na roda de coleira, se tiver cantando ou não ele fica na roda até a marcação dos 10, e normalmente passa para os 15 com poucos cantos,  sem falar também que você pode levar dois ou três coleiras no mesmo carro. Trinca Ferro é totalmente diferente, quem puxa sabe que muitos tem que morar sozinho e não tem como levar mais que um no carro; as regras são bem mais duras, tipo após uma hora de roda, se tiver triscando ou macheando sai fora na varredura, se tiver comendo ou brigando e não soltar nenhum canto por 2 minutos sai fora também. Trinca Ferro é um pássaro mais sério, e para arriscar levar na roda, ele tem que ter alguns características, como ser rápido, ter boa retomada de cantos e segurar no mínimo 10 cantos no minuto, então é muito mais difícil lapidar um Trinca do que um Coleira. 

16-Qual o tempo ideal de um Torneio Fibra, em sua opinião?

R: O tempo ideal é de 3 horas e meias à 4 horas.

17-Qual a postura ideal que um Chefe de Roda deve ter em um Torneio de Fibra?

R: Três coisas que devem ser feitas por um Chefe de Roda em Torneios de Fibra são ouvir atentamente, considerar o que for regra e decidir imparcialmente.

18-Um grande problema nos Torneios são os trincas que piam e complementam canto. O que você aconselha quando o Chefe de Roda se deparar com estes trincas em competição?

R: O conselho que eu indico é colocar um diretor ou um marcador  que sabe diferenciar o que é canto e o que é complemento para marca-lo. Se o mesmo ficar piando mais de 5 vezes, desclassificar seguindo o regulamento.

19-Sobre as canetadas nos Torneios de Canto, o que você acha sobre essa terrível prática?       

R: Infelizmente, já passou da hora de nós banirmos essas pessoas do nosso meio a partir do momento que nós não aceitarmos mais, e parar de ficar falando que não quer arrumar confusão, quer somente saber quanto a ave da pessoa deu, se foi marcada certa, e por ai  vai. Fica difícil deixar apenas para os diretores e Chefes de Roda, muito vê ali na hora e não fala nada, preferem chegar em casa, ir no computador e descer a lenha na organização. Uma pena essa prática, porque se ele falasse lá na hora, todos iriam reclamar, com certeza e isso iria acabar. 

20-Quais dicas daria para se evitar as famosas “canetadas”? 

R: Olha, quando estou conduzindo a roda, antes de começar a marcação, já falo para todos os proprietários e marcadores, sobre o visto, se não tiver o visto no meu papel não vai para final. O visto é muito importante, porque ali você anota o tempo em que o marcador falou visto, tipo assim, eu costumo pedir para eles falar do visto com 60 cantos, veja o exemplo: Com 4 minutos ele pediu o primeiro visto, quer dizer, que com oito minutos ou mais vai pedir o segundo visto ou pouca diferença de minutos. Teve um caso que um Trinca estava cantando bem, pediu visto com  5 minutos 30 segundos, e depois pediu o segundo visto com 8 minutos, daí já fiquei em cima do marcador e pedi para um diretor acompanhar o marcador (risos), o mesmo Trinca demonstrou  um ritmo menor do que os números indicavam , mas se não fosse ninguém atrás conferir, ele teria ganhado a roda. 

21-No Clube que você atua, há punições para aqueles que descumprem as regras? Pode citar algumas?

R: Nos torneios das federações, se for pego fazendo isso, é só ir ao Chefe de Roda e relatar para ele, e a pessoa será punida imediatamente e não participará por um ou até mais etapas no ano, e nos clubes também. Mas aqui, se fizer tal coisa, e for pego, a vergonha será tanta que o cidadão não volta mais.

22-Você acredita que num futuro próximo as Rodas de Trinca-Ferros serão dominadas pelos filhotes nascidos em cativeiros? 

R: Sim, com certeza. Já tem muitos criadores por aí com belas genéticas, é um pouco mais demorado nos Trincas, por causa da idade, hoje em dia, um filhote de Trinca para ser puxado, precisa ter no mínimo uns 5 anos. Como temos alguns criadores antigos, já estou acompanhando grandes resultados de filhotes criado em ambientes doméstico.

23-Porque atualmente vários criadores estão perdendo o interesse em participar do Torneio Nacional?

R: Ea minha humilde opinião, nacional é nacional, mas os valores para disputar um campeonato deste é muito caro, para ser campeão deste evento você viajar o Brasil todo e as vezes, vai em locais que não tem uma organização decente, e você enfrenta todos os tipos de clima: Frio, calor, chuva, vento; é muito complicado, vejo também que não tem uma premiação legal para o campeão ou vice-campeão, como pagar no mínimo as dispensas gastas para disputar um Torneio Nacional.

24-Quanto ao incentivo nos Torneios, você é a favor ou contra? Por quê?

R: Não sou a favor de torcida pelo motivo que muitos se aproveitam para atrapalhar os pássaros dos outros na roda, por exemplo: o coleira ta dormindo e o proprietário fica gritando sem moderação e sem falar que atrapalha demais o Chefe de Roda, porque não consegue ouvir os vistos. Têm muitos que se aproveitam do marcador e coloca uma pressão para induzi-lo ao erro para marcar mais. Entendo que muitos vibram e gostam de torcer por seu alado, mas infelizmente no nosso hobby, tem aqueles maldosos e isso acaba não dando certo.

25-Quanto a se puxar os pássaros em esquentas, principalmente nos meses de junho e julho, você acha que isso é benéfico aos alados ou pode atrapalhá-los durante a temporada?

R: Veja bem, esquenta é muito importe, mas acho que os clubes tem que respeitar as espécies. Se você for puxar agora um Trinca Ferro, por exemplo, estamos ainda no inverno e  a chance de um repasse de penas no meio da temporada é muito grande, penso eu assim, Trinca Ferro em agosto e coleira no final de setembro ou no começo de outubro.

26-Quais dicas daria aos iniciantes nesta difícil arte de ser CHEFE DE RODA?

R: A dica é bem simples: é de gostar de cuidar da roda e não se importar com o que as pessoas dizem ao seu respeito.

27- Se pudesse definir em uma ÚNICA palavra sua atividade de CHEFE DE RODA, seria...........

R: Honestidade. 

Quero aqui agradecer o meu amigo,  André Barros pela entrevista, eu espero que ajudem de uma maneira ou outra. 

Feliz é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.

Um  grande abraço.

Rodrigo Datena 

 

Rodrigo, nós da AOBC é que agradecemos pela presteza e também por dividir conosco tais dicas e demais informações.

 

Boa sorte sempre.

André Barros

Diretor Geral dos Torneios de Canto da AOBC

Publicidade

Copyright © 2018 Copyright AOBC Rights Reserved.