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23-06-2018 03:03

SITE DA AOBC

2ª ENTREVISTA MÊS DE ABRIL/2018

 

            Em continuação ao nosso quadro de ENTREVISTAS para o site da AOBC, nesta segunda quinzena de Abril de 2018, estaremos conversando com o grande criador Sr. Flávio Legieri, da cidade de São Paulo, criador amadorista e pioneiro na criação de Trinca-Ferros em cativeiro.

 

1-Sr. Flávio Legieri, como ocorreu ou de onde vem essa paixão pelos pássaros e em que ano o senhor iniciou a criação de trinca-ferros em cativeiro?

R: Este ano completo 70 anos de idade e as minhas primeiras recordações já trazem à tona a criação de pássaros. Meu pai Octávio Legieri criava curiós e sabiás laranjeiras e desde a infância tendo contato com esse universo, já me tornei um amante da criação. Minha primeira tentativa própria foi com coleiras e pintassilgos, posteriormente com canários, curiós até chegar à criação de trincas em meados da década de 90.

2-Como era sua criação no início, tipo: viveiro ou gaiolas? Casal separado ou junto? Vários casais?

R: Desde o início acreditei que a criação de trincas deveria seguir o modelo já consolidado e testado dos curiós. Tendo fêmeas e machos separados, e trazendo como inovação a criação em gaiolões de 80 cm.

3-Sabemos que o senhor é um pioneiro na criação de Trinca-Ferro em cativeiro. No início quais foram suas maiores dificuldades encontradas na criação?

R: A maior dificuldade inicial foi conseguir entender o formato ideal de alimentação dos filhotes dos trincas, pois a perda era grande. Em meus estudos optei por observar como outras espécies de aves criavam seus filhotes na natureza e constatei que a maior parte da alimentação era composta por proteína, insetos, minhocas e outras. Tendo isso, iniciei os testes introduzindo inicialmente bigurrilho e minhoca, que ao longo anos evolui para outras fontes de proteína mais evoluídas.

4-No início o senhor criava com o objetivo apenas de tirar filhotes ou já pensava em criar filhotes de genética voltada para competição na modalidade fibra ou isso foi acontecendo com o tempo?

R: Em todas as minhas criações, mesmo de outras espécies, o que sempre tive como objetivo foi o aprimoramento genético para geração de melhores pássaros de Torneio. Com o trinca, tive sorte de inicialmente criar com o Tri-Campeão Brasileiro Labareda, um dos fenômenos da época e com isso agreguei os elementos fundamentais de uma criação campeã que compõe fibra e velocidade.

Na melhoria do plantel introduzi também raças como o próprio Japeri e um filho do  Zandonaide, formando assim grandes pássaros como o Brasinha, Godizila, Universo, Kamikaze e outros.

 

5-A higiene é muito importante para o sucesso em qualquer criação. Quanto a este tema, quais são as dicas para se obter sucesso nessa higienização?

R: A higiene é realmente fundamental e deve ser mantida sempre, não somente buscada quando o criadouro já estiver em estado de necessidade de ser limpo. Na minha criação eu uso água sanitária para limpeza dos bebedouros, coxos de comida e banheiras, garantindo assim que estejam 100% desinfetados.

 6-O senhor faz algum “check up” em seu plantel na Pré-Temporada ou após a Temporada de choca?

R: Eu acredito que o plantel necessita de um acompanhamento constante e faço em ambas as ocasiões, tanto na Pré Temporada, quanto após a choca.

7-Há alguma alimentação especial fornecida aos casais na Pré-Temporada de acasalamento?

R: Sim, utilizo uma farinhada especial que eu mesmo preparo e gosto de utilizar o Promater e cálcio para preparar as fêmeas.

8-É fornecido algum trato “especial” para que as fêmeas possam aprontar na época certa, ou seja, no mês de setembro, ou o senhor permite que isso ocorra conforme a natureza de cada fêmea?

R: Na segunda quinzena de agosto eu coloco os ninhos nas gaiolas, disponibilizo raízes para as fêmeas “aninharem” e reforço a alimentação incluindo insetos como grilos e larvas.

9-Sabemos que há algumas fases críticas quanto ao desenvolvimento dos filhotes. Em sua opinião que fases são essas e por que elas ocorrem?

R: A fase mais critica é quando o filhote é separado da mãe, o que traz a necessidade de reforçar a alimentação individualmente contando com proteína, papas de filhotes e vitaminas. Faz-se necessária também a prevenção da doença coccidiose.

10-Quanto à alimentação dos filhotes, nos quesitos ração, frutas, legumes e verduras, o que o senhor fornece a eles, principalmente durante as primeiras semanas de vida?

R: A alimentação tem que ser bem diversificada, porém rica em proteínas que é fundamental para o desenvolvimento.

 

11-Qual a melhor opção de alimento vivo para ser fornecido aos filhotes? Quanto à farinhada, o senhor fornece uma industrializada ou produz a sua própria farinhada?

R: Na minha visão as melhores opções de alimentação viva são Tenébrio e Grilo, já a farinhada eu sempre produzo.

 

12-O Sr usa alguma papinha para os filhotes nos primeiros dias de vida? Ela é industrializada ou o Sr mesmo faz essa papinha?

R: Utilizo tanto uma que eu mesmo produzo, quanto à da Alcon.

13-Aos filhotes, na 1ª semana e até completarem 01 ano de vida, é fornecido algum tipo de suplemento ou preventivo? Qual forma é ministrada aos filhotes?

R: O segredo é fornecer uma boa alimentação rica em proteína e cálcio, pois essa fase é critica e de fácil perda do pássaro. A atenção e disciplina no trato são fundamentais.

14-O senhor vem obtendo excelentes resultados na criação voltada para filhotes competidores nos torneios de Fibra. Quais filhotes já se destacaram ou que se encontram em processo de maturidade para iniciarem nas competições?

R: Ao longo desses quase 25 anos criando Fibras já consegui produzir em meu plantel alguns pássaros que realmente tem se destacado em torneios, tais como Universo, Carbono, Brasinha, Godizila, Kamikaze, Boca-Loca, Triniti, dentre tantos outros.

15-Fale-nos um pouco do seu pupilo Universo! Qual a genética? Quais características? Qual seu desempenho nos Torneios?

R: O Universo é a união de três raças, Labareda, Japeri e Zandonaide, tendo como características principais a fibra e a velocidade. Na roda ele é um pássaro que se destaca ao guerrear o tempo todo com os adversários mantendo uma média de canto de 190. É importante ressaltar que ele vive em meu criadouro junto com o plantel, como um galador, sem uma preparação especifica para torneios.

 

16-Sabemos que o senhor já transferiu filhotes de sua criação com ótimos resultados em torneios, inclusive indo procriar em outro criatório, no sul do país. Conte-nos um pouco sobre isso e qual a sensação de ver um filhote de sua criação levando a genética de seu criatório para outros estados?

R: É uma imensa satisfação ver que tantos anos de trabalho e dedicação tem se traduzido no reconhecimento da qualidade do plantel. Isso traduz na confiança de outros amigos criadores de querem levar a raça desenvolvida adiante como um diferencial em suas criações, e sendo um imenso orgulho para mim.

 

17-Após o desmame dos filhotes, ocorre algum manejo específico com eles, principalmente quanto ao desenvolvimento dos sacos aéreos destes filhotes?

R: É importante que o filhote nesse processo seja transferido para um gaiolão, garantindo assim que ele possa ter o treinamento necessário para abertura dos pulmões.

 

18-O senhor observa o comportamento de cada filhote, a fim de separá-los para um manejo específico, ou seja; aqueles com aptidão para os Torneios de Fibra ou aqueles com aptidão para aprendizagem de canto ou para reprodução?

R: O potencial de cada filhote só é realmente percebido após algumas etapas do seu desenvolvimento, o que pode levar até um ano.

 

19-O senhor utiliza algum tipo de canto específico para tentar o encarte de canto nos filhotes, com o objetivo para competição na modalidade fibra?

R: Utilizo o canto do Labareda, Cerol e do Fliper.

20-Atualmente o seu criatório conta com quantos galadores, matrizes e filhotes?           

R: Atualmente são cerca de 05 galadores e 15 matrizes.

21-Sabemos que muitos criadores estão realizando o cruzamento entre subespécies de pássaros, principalmente os da espécie trinca-ferro verdadeiro com o tempera viola, visando a obtenção de pássaros cada vez mais velocistas. O Senhor é favor ou contra este cruzamento? Por quê?

R: Sou contra, porque a legislação não permite, porém devido à velocidade do Tempera Viola acredito que se for bem conduzida a cruza, possa vir a dar resultado.

 

22-Em sua opinião os pássaros que emitem o canto do tipo: tirulim ou birobiro, estando em competição, este canto pode prejudicar os outros pássaros na roda?

R: Acredito que não.

23-Qual a idade ideal para iniciar um filhote nas competições de fibra e quais dicas daria aos competidores que estão com trincas filhotes e que almejam iniciá-los nas rodas de Fibra?

R: Na minha visão a idade ideal é entre os 2 e 3 anos, pois diversas etapas, inclusive de acasalamento devem ser bem executadas.

24-O senhor além de grande criador gosta ou participa de Torneios de fibra? Costuma freqüentar qual clube?

R: Gosto muito de Torneios, como morador da cidade de São Paulo, costumo freqüentar os Torneios do SERCA.

 

25-Quais características um trinca-ferro deve possuir para ser um grande Campeão nos Torneio de fibra?

R: Acredito que existe uma série delas, mas as principais em seqüência são: Fibra, Canto Curto, Velocidade e Condicionamento Físico.

 

26-Àqueles que estão iniciando na criação de trinca-ferros em cativeiro, quais dicas daria para que possam obter sucesso na criação?

R: Meu principal conselho é não acreditar em milagres, a criação depende de dedicação e resiliência para superar os desafios que ela propõe. O cruzamento de genética também é fundamental.

 

27-Se pudesse definir em uma ÚNICA palavra esta arte da criação em cativeiro, seria...........

R: Amor.

Sr Flávio, a AOBC, amigos e visitantes agradecem pela oportunidade que o senhor nos concedeu e também pelo fato de poder nos repassar uma vasta gama de conhecimento nesta tão difícil, mas com toda certeza, prazerosa arte da criação em cativeiro.

 

            Boa sorte e que Deus possa sempre estar abençoando o senhor e sua criação!!!!

 

André Barros

Diretor Geral dos Torneios de Canto da AOBC.

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